Quem observa o estacionamento abarrotado de carros em frente à Biblioteca Nacional de Brasília é induzido a achar que uma das mais novas construções da capital, a 500 metros da Catedral, vive cheia de pessoas ávidas por leitura. Ledo engano. Inaugurada duas vezes em 2006, ano de eleições, a biblioteca é hoje um elefante branco, em plena Esplanada dos Ministérios, sem nenhum livro em suas prateleiras. O estacionamento é usado por servidores de tribunais superiores e outras instituições públicas que ficam nas imediações do prédio.

Praticamente sem ninguém – apenas 14 funcionários transitam pela construção de quatro andares, em formato retangular, e com 120 metros de comprimento -, o prédio custou aos cofres públicos R$ 42 milhões e, passados 17 meses da última inauguração, continua vazio. Forma, junto com o Museu da República, que já está em funcionamento, o Conjunto Cultural da República, parte do projeto original de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa para Brasília.

Segundo o bibliotecário Antonio Miranda, diretor-interino da biblioteca e professor da Universidade de Brasília (UnB), ela vai começar a funcionar no segundo semestre deste ano, até o dia 7 de setembro.

As publicações que farão parte do acervo ainda estão sendo catalogadas. Até agora, 50 mil livros foram doados por editoras, universidades e fundações de pesquisa. A expectativa é que, até o final deste ano, o atual acervo fique maior. O Ministério da Cultura prometeu R$ 2 milhões para compra de livros. “A biblioteca tem capacidade para 250 mil livros, o que é muito pouco. Por isso, vamos criar bibliotecas digitais”, diz o diretor.

A idéia original era que a Biblioteca Nacional de Brasília abrigasse uma duplicata de cada obra existente na Biblioteca Nacional do Rio, criada há 200 anos, com a chegada da família real ao Brasil. A proposta foi, no entanto, logo descartada. “Não teríamos lugar”, diz Miranda.

Além de não ter se preocupado com a aquisição de obras para a biblioteca, o governo do Distrito Federal, responsável pela construção do prédio, também não seguiu à risca o projeto original de Niemeyer. Conclusão: R$ 8 milhões foram gastos em adaptações do prédio.

Como o Estado informou ontem, a Biblioteca Nacional do Rio sofre com falta de espaço. Cerca de 40 mil livros não podem ser consultados porque não há onde instalar prateleiras. Por lei, tudo que é publicado no País tem pelo menos uma cópia guardada ali.

Fonte: Estadão.com.br

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