BRIAN S. MATHEWS

Há um certo receio sobre o futuro de bibliotecas; o Google, o Amazon, Wikipedia, e MySpace se tornaram os principais destinos para interações informativas. Compreensivelmente, os bibliotecários estão preocupados. Que papel vamos assumir na paisagem dinâmica que está se deslocando para longe das nossas empreitadas tradicionais?

Sob minha ótica, temos uma grande oportunidade: as possibilidades são mais ilimitadas do que jamais foram. Encarada com firmeza, esta é a nossa chance de ser mais inovadores. Naturalmente, mudanças nunca são fáceis, mas sou otimista. Conversei bastante com recentes graduados em biblioteconomia, e eles têm muitas boas idéias. Eles têm entusiasmo, estão ansiosos para fazer modificações, e não menos predispostos sobre o que as bibliotecas devem ser. Nós devemos estimulá-los.

O Bibliotecário como Empreendedor

Vejo o bibliotecário do século XXI como um empreendedor: um indivíduo que cria novos projetos, abraça os desafios e se esforça em melhorar. Um indivíduo que vê o quadro geral e que pode pensar e trabalhar independentemente. Um indivíduo que pode identificar e dirigir necessidades, e que pode implementar, vender, e avaliar iniciativas. Nós entramos numa fase que requisita mão-de-obra oportuna. Aqui estão algumas coisas que busquei ao longo do caminho que pode ajudar-nos a começar:

Arrisque. Nada é sagrado; tudo é passível de modificação ou renegociação. Devemos apoiar a tomada de riscos responsável. Os bibliotecários muitas vezes perguntam como persuadi a minha administração para me permitir usar redes sociais online para expandir o alcance da biblioteca. A minha resposta típica é que eu não pedi. Eles não observam as minhas anotações de sala de aula ou as minhas consultas de referência, então, por que eles deveriam se envolver com a extensão daquelas interações? Isto depende da cultura na sua biblioteca, mas espero ver a nossa evolução para organizações mais flexíveis que respaldam a equipe de trabalho, ao invés de permanecer dominadas por política e hierarquia. Deveríamos ter a liberdade de atuar profissional e responsavelmente, e dirigir as necessidades dos usuários em uma maneira rápida e apropriada.

Inicie a transformação. Nem sempre podemos esperar que os outros façam as coisas; às vezes temos de fazer modificações nós mesmos. Se algo estiver errado, ausente, ou ineficiente, não vamos nos queixar, mas fazer algo sobre isso. Sou inspirado pelas iniciativas de dois dos meus colegas: Ross Singer, um desenvolvedor de aplicações web, descontente com muitos dos produtos comerciais que compramos, projetou um sistema de avaliação e está redesenvolvendo o conceito de “catálogo de biblioteca”. Bonnie Tijerina, bibliotecária de recursos eletrônicos, reconheceu uma falha em ofertas de conferências e organizou a Conferência de Recursos Eletrônicos e Bibliotecas para sanar a necessidade. Devemos tomar iniciativas de soluções em direção aos problemas, e não nos acomodar simplesmente ao que é oferecido ou para o que tem sido tradicionalmente aceito.

Quebre os silos. Um dos desafios maiores, especialmente em grandes bibliotecas, é aquele do efeito de silo. É fácil deixar a nossa identidade departamental nos definir; reunimo-nos em volta da nossa “equipe”, e esforçamo-nos por proteger os nossos interesses. Isto é um terrível desperdício da nossa força de trabalho. Enquanto é fácil falar sobre a idéia da colaboração, como podemos fazê-la acontecer? Um modo de começar a quebrar barreiras é através de aplicativos de software sociais: mensagens instantâneas, wikis, blogs e sites em rede. Deixe a equipe desenvolver relações que se misturam através de contextos pessoais e profissionais. A abertura dos canais da comunicação estimula a inovação que se estende através dos departamentos. Quando um problema ou objetivo são identificados, permita que o processo de resolução natural ocorra, baseado em respeito e interesse, e não por título e autoridade.

Leia além da profissão. Há demasiado eco na literatura biblioteconômica, e isto inclui blogs e listas. Nós nos mantemos ocupados reinventando rodas. Pessoalmente, aprendo muito mais lendo fora da literatura profissional, em particular nas áreas de marketing, serviços aos clientes, tecnologia de informações e arquitetura. Se o nosso objetivo for a inovação, então temos de assegurar que estamos olhando na direção direita.

Avalie constantemente. Temos de lembrar que as bibliotecas são para os usuários, e não para nós. Gostaria de ver uma verdadeira cultura de avaliação capaz de enxergar além das estatísticas de entradas na bibliotecas, estatísticas sobre circulação e questões de referência, e focada mais sobre funcionalidade e satisfação do usuário. Temos de examinar como as coleções, os serviços e o espaço físico são usados e como eles podem ser usados, ajustando-os conseqüentemente. Como nos movemos em direção à redefinição do conceito de bibliotecas, temos de assegurar que o usuário tenha voz. E temos de assegurar que eles não estão nos dizendo somente o que queremos ouvir, mas sim, estão contribuindo em direção à visão do que podemos nos tornar. Fazemos isto observando, escutando, e interagindo com os nossos usuários, e concentrando em melhorias constantes. Preferiria aspirar uma cultura de progresso constante, e não uma de excelência proclamada.

Se envolva. É fácil ser cínico; é muito mais difícil ser apaixonado em prol de mudanças. As bibliotecas, em particular as acadêmicas, muitas vezes têm uma rede complexa de comitês, força tarefa e grupos de trabalho que podem impedir a inovação. Apesar de ser tentador e possivelmente mais rápido desenvolver projetos fora do sistema, é mais saudável trabalhar dentro da própria organização. Apresente-se! Desenvolva a sua reputação como alguém que empreende tarefas e projetos. Essas contribuições abrirão portas que podem cortar a burocracia. Demonstre o espírito empreendedor abraçando uma atitude de soluções em direção a problemas e construindo uma rede de experiências com colegas. Encontre modos de incorporar o pessoal, inclusive aqueles sem formação em biblioteconomia, de múltiplos departamentos; em conjunto você pode ganhar influência genuína e eficaz.

O futuro de bibliotecas é seu. O que você vai fazer com ele?

Brian S. Mathews é bibliotecário de serviços públicos na Universidade Georgia Tech. Seu blog é o The Ubiquitous Librarian.

Tradução: Fabiano Caruso e Moreno Barros.

Original disponível em: http://www.lisjobs.com/newsletter/archives/nov06bmathews.htm

Tradução sob permissão do autor.

Fonte: Extralibris

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