A bibliotecária Sônia Mara Saldanho Bach, da Universidade Federal do Paraná, está de malas prontas para ir à França no dia 10 de setembro. Ela é a primeira brasileira a conseguir uma vaga para o mestrado na renomada Escola Nacional Superior de Ciências da Informação e de Bibliotecas, a L’Enssib. “É a realização de um sonho”, define. “Trabalho com biblioteconomia há mais de dez anos e neste período todo vim me preparando para isto.”

Sônia desenvolveu um projeto inovador: a idéia é capacitar todos os alunos da universidade para que eles possam pesquisar artigos científicos em bases de dados como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). “Será mais uma ferramenta para aperfeiçoar o ensino superior brasileiro”, afirma.

Sônia concorreu com mais de 30 candidatos no mundo todo e somente 5 pessoas foram selecionadas. Ela enviou solicitações para o mestrado a quatro universidades. Foi aceita por três. Escolheu a L’Enssib por ser voltada especificamente para a Biblioteconomia. De lá saem os profissionais que vão para as bibliotecas mais renomadas da França.

A área de pesquisa escolhida pela bibliotecária – Competência Informacional – ainda é recente no Brasil. “Nos Estados Unidos e na Europa este tipo de estudo já está mais desenvolvido”, explica. “O objetivo é capacitar os alunos e professores sobre as ferramentas de pesquisas disponíveis. Não adianta nada ter informação e não saber usar.”

A bibliotecária afirma que esta é uma temática muito nova. “Gostaria que este campo de estudo crescesse no Brasil”, afirma. “Desejo retornar ao Brasil e devolver tudo o que eu aprendi.”

Os estudos da área abordam as habilidades que uma pessoa deve ter para buscar a informação que necessita. A bibliotecária cita o exemplo do site de buscas Google. “Antigamente todo mundo fazia pesquisas assim até o surgimento da plataforma Google Acadêmico, mas é necessário saber como procurar”, explica. “E um benefício de sites de buscas científicos é a credibilidade e seleção do conteúdo disponível.”

Sônia diz que, apesar dos investimentos na educação superior no país, as pessoas ainda lêem muito pouco. “Nas 3.259 bibliotecas espalhadas pelo Brasil, temos 32,2 milhões de títulos, totalizando 68,2 milhões de exemplares”, diz. “Se somarmos 200 dias letivos anuais, os 6,8 milhões de empréstimos equivalem a 0,089 livro emprestado ao dia por aluno, o que é uma quantidade muito pequena na vida universitária.” Para ela, a Competência Informacional pode mudar esses dados.

Fonte: Gazeta do Povo -Paraná

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