Depois de anos crescendo, enquanto seus associados encolhiam, a Associated Press, que se expandiu vendendo conteúdo para portais de internet, resolveu engrossar o coro dos jornais, contra o Google, mudando sua estratégia desastradamente. Influenciada pela lamúria da turma do papel, que vem minguando nos EUA, a AP prometeu construir um negócio milionário, em cima de manchetes on-line, evocando a bilionária “venda de palavras-chave” nos mecanismos de busca. O argumento retoma a velha suposição de que veículos impressos produziram o conteúdo da internet, enquanto o Google, na última década, empacotou e vendeu, como ninguém. Se a crise não tivesse chegado no ano passado, acelerando a extinção dos jornais no mundo desenvolvido, tudo continuaria como sempre esteve. Agora, a Associated Press quer controlar a distribuição do conteúdo produzido pela sua rede, na internet. A ideia é introduzir uma “marca”, que detectaria quando um texto fosse espalhado por aí, obrigando o “infrator” a pagar pelo direito de uso. No limite, a AP quer controlar, inclusive, os links apontados para sua rede, na internet, contrariando a verdadeira gênese da World Wide Web. Se a WWW foi concebida por acadêmicos, para ajudar na disseminação do conhecimento, espalhando referências entre papers – hoje, a Associated Press acha que encontrou a solução, para o impasse dos jornais, obrigando todo mundo a pagar por uma simples referência. Felizmente o tempo não anda para trás, só para frente – enquanto mentalidades jurássicas, como essas, só servem para comprovar o porquê de tamanha extinção na mídia…

Texto retirado na íntegra do Digestivo Cultural

Comentário

Em tempos de vacas magras (se é que as vacas estão ainda magras) o embate pela cobrança de serviços tidos como essenciais e gratuitos, como ler uma notícia em um jornal on-line, pode crecer ainda mais.

A ganância de querer lucrar em cima de tudo não é ‘virtude’ recente – vem de tempos.Mas,em minha opinião,talvez nem seja questão de ganância, e sim de sobrevivência.Entretanto, nem todos estão ‘preparados’ (se for esta for a palavra certa a ser utilizada) para pagar por serviços cuja própria natureza da web há muito nos diz que “são de graça e ilimitados”.

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