Há algum tempo atrás li um texto da antropóloga francesa Michele Petit intitulado ‘ Os Jovens e a leitura’ (Editora 34). No livro, a antropóloga relata suas experiências com jovens pobres da perifeira parisiense.Petit, que até então acompanhava e desenvolvia atividades de incentivo à leitura, percorria várias bibliotecas e analisava de perto o trabalho que estava sendo realizado pelos bibliotecários franceses.

Em um determinado ponto da leitura, defrontei-me com um dizer parecido com o título deste post:”E quando nem tudo está no nosso alcance?

A princípio estranhei a frase, e quando finalmente acabei de ler o texto é que me dei conta do que se tratava.Trabalhando com jovens muitas vezes descendentes de estrangeiros (sobretudo de antigas colônias) e/ou com sérios problemas de inserção social – típicos de alguns países que outrora foram ferrenhos imperialistas – os bibliotecários muitas vezes se viam sem saída diante do sentimento de impotência que se apoderava deles num dado momento da vida de alguns daqueles jovens.O papel de intermediação que resultara, na maioria das vezes, no acesso aos estudos e às oportunidades se apagava de vez quando, estes mesmos jovens, se deparavam com o mercado de trabalho – ainda tão segregado em países como a França.Na ocasião, os bibliotecários reconheciam que nem sempre eles seriam a ‘ponte’ de mediação entre as partes.

Várias são as conclusões que se pode trazer para a realidade brasileira.Um Estado ausente, instituições ineficientes e a perda e anulação de valores fundamentais ao ser humano vêm bater de frente com os mais otimistas dos envolvidos.Não há aqui um relato de quem – que por sinal nem começou a jornada – está a desanimar.Pelo contrário.Tenho consciência de minha função e tentarei contribuir com o que posso.

O que devemos nos conscientizar é justamente até onde vai nosso papel, e quando entram o papel e a responsabilidade de outrem.Essa “delimitação” de responsabilidades, talvez, possa evitar futuras sensações de impotência diante de fatos que, na verdade, não estão ao nosso alcance.

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