A recente aprovação da lei que obriga todas as escolas públicas e privadas do país a terem uma biblioteca e, consequentemente, um bibliotecário, é sem dúvidas digna de admiração.

Em contrapartida, caberá agora aos cursos de Biblioteconomia conseguirem, dentro de suas atribuições, preparar os futuros profissionais que conseguirão de fato atender a uma demanda que, cá pra nós, não é nada pequena, visto que só de municípios o número vai pra mais de 5.000 em toda federação.

Num ciclo não tão animador, porém real, vemos as faculdades de Biblioteconomia em todo Brasil atraírem cada vez menos estudantes dispostos a cumprir tal tarefa, e os motivos são vários: desconhecimento do curso, baixos salários, falta de valorização dos profissionais ligados à educação entre outros.

É claro que outras questões devem ser levadas em consideração em se tratando do real cumprimento desta lei; a questão de “recursos humanos” é apenas uma delas….

Em recente palestra com professores que trabalham em “salas de leitura” (como são chamadas as bibliotecas escolares no estado de São Paulo) vi um exemplo muito bem trabalhado e que deu certo ao longo dos dez anos em que as professoras atuaram nas salas de leitura.Não defendo aqui que professor fique no lugar de bibliotecário e nem que se mude a nomenclatura das bibliotecas, mas sim a união das duas classes.

Bem, as discussões devem se intensificar ao longo dos dez anos estipulados pela lei para que todas as escolas se adaptem às novas regras. Paralelo a isso, a comunidade bibliotecária deve se movimentar , buscando encontrar um ponto de equilíbrio num horizonte tão “surreal” se pensarmos na quantidade de profissionais que deverão ser formados para atender a toda essa demanda, isso, é claro, se a lei 12.244 não for mais uma “letra morta”.

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