“Bibliotecas estão 20 anos atrasadas”, diz Evanda Verri Paulino, presidente do CRB-SP

2010 fevereiro 3
por biblio20

No comando do maior Conselho de Biblioteconomia do País, Evanda Verri Paulino, a presidente do CRB, que reúne os 8 mil bibliotecários paulistas, defende um novo papel para as bibliotecas e adoção de um modelo híbrido, que integre as unidades municipais, comunitárias e escolares para atender melhor tanto os estudantes como as comunidades em seu entorno. Para ela, que também é professora de Biblioteconomia e Ciências da Informação na Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP-SP), as bibliotecas devem funcionar cada vez mais como uma espécie de agência educadora e laboratórios de informações. Em entrevista exclusiva à Brasil Que Lê, Evanda defende um papel mais amplo das bibliotecas nas políticas públicas do livro e leitura e faz uma advertência: no Brasil, de acordo com ela, além dos problemas de estrutura, as bibliotecas escolares estão atrasadas pelo menos 20 anos.

A atual década tem sido um período de avanços importantes na questão do livro e da leitura no Brasil. Que balanço fazem os bibliotecários sobre esse período?

As iniciativas nas esferas pública e privada são necessárias para estimular a leitura e desenvolver a cidadania no Brasil. Ações importantes têm ocorrido. Entretanto, elas ainda não apresentaram resultados concretos. As diversas pesquisas em Educação ainda reiteram a necessidade de refletirmos sobre os aspectos nos quais ainda estamos falhando. Como bibliotecários e educadores, ajudamos a elaborar os projetos pedagógicos nas escolas e desenvolvemos ações culturais para estimular a leitura e o interesse pela pesquisa e pelo conhecimento. No entanto, nos perguntamos: será que estamos levando em consideração as características e as demandas da comunidade que pretendemos sensibilizar? No mundo globalizado, cada comunidade continua sendo única e especial. E sabemos que a busca pela informação e pelo conhecimento só acontece quando o indivíduo sente necessidade e curiosidade, e está motivado. Nós, bibliotecários, devemos ajudar a despertar e estimular o indivíduo para a leitura, a pesquisa, o saber e o questionamento. Portanto, programas que criam salas de leitura (a maioria sob a responsabilidade de professores readaptados) e se restringem à entrega de livros são insuficientes até mesmo para estimular a leitura no país.

A transformação educacional e cultural é gradativa e trabalhosa, envolve um esforço multidisciplinar planejado e integrado, desenvolvido por profissionais preparados e competentes. É importante considerar também que as inovações oriundas da tecnologia da informação têm modificado as relações humanas e os modos de gerar e disseminar conhecimento. Assim, estamos cada vez mais focados em desenvolver competências informacionais, ajudando a preparar os indivíduos para acessar, analisar, filtrar e selecionar informações, para que possam se apropriar de conteúdos de maneira ética e gerar novos conhecimentos. A leitura está presente em todas as etapas desse processo e ajuda a integrar e agilizar o complexo trajeto para buscar e encontrar a informação, essencial para a aprendizagem continuada e para a formação de cidadãos.

E o que representa, nesse contexto, o Plano Nacional do Livro e Leitura?

O Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), por meio de projetos, programas, atividades e eventos, busca incentivar a leitura, fazendo com que ela se torne parte do cotidiano do brasileiro. Sem dúvida, o PNLL inclui ações importantíssimas para estimular a leitura, como a implantação de novas bibliotecas e a criação de projetos sociais. No entanto, precisamos ajudar estudantes e jovens a se tornarem usuários autônomos da informação, capazes de acessar e selecionar as informações que melhor atendam às suas necessidades e interesses. Alguns podem até discordar alegando que eles nunca foram tão “independentes” face ao acesso fácil à informação. Mas nós que lecionamos sabemos a dificuldade que esses jovens apresentam na hora de pesquisar e estruturar um texto com conteúdo claro e objetivo, e raciocínio inteligível. E a dificuldade que têm na hora de expor e defender uma opinião e se comunicar com clareza e discernimento para serem bem sucedidos e felizes nos âmbitos pessoal e profissional.

A competência informacional ajuda a fortalecer o repertório de conhecimento prévio adquirido também pela leitura e contribui para a aquisição de competências múltiplas, para o aprimoramento da capacidade de ler, escrever e se comunicar, e para utilizar as novas mídias digitais para manter-se atualizado e disponibilizar, compartilhar e colaborar na geração de novos conhecimentos.

Qual é, na sua opinião, o papel dos bibliotecários nesse novo cenário?

Cabe aos bibliotecários sensibilizar seus parceiros, colegas e superiores, seja em organizações ou em instituições, para a necessidade de criar e implantar programas de capacitação informacional sólidos, abrangentes e permanentes. Hoje, os bibliotecários atuam em bibliotecas públicas, escolares e comunitárias, em agências de publicidade, escritórios de advocacia, em editoras, em instituições públicas e privadas, além de organizar a informação disponível na Internet (sites, blogs e redes de relacionamento, entre outros), trabalho o qual chamamos Arquitetura da Informação.

Na era da informação e do conhecimento, a informação é fundamental para a estratégia do negócio e para a tomada de decisão. Por isso, atuamos em organizações das mais diversas naturezas. Assim como em instituições educacionais, nas organizações trabalhamos para difundir, organizar e democratizar a informação. Trabalhamos para a inclusão informacional e o uso competente da informação. Nas bibliotecas escolares, bibliotecários e professores trabalham em parceria para ensinar ferramentas essenciais na atualidade como: tirar conclusões e decisões embasadas em informações advindas de fontes confiáveis, aplicar o conhecimento em situações distintas e gerar novos conhecimentos. A competência informacional tornou-se uma disciplina tão relevante nos dias atuais como a Matemática, a Arte e a História. O Conselho Regional de Biblioteconomia do Estado de São Paulo está fazendo um levantamento das bibliotecas escolares exemplares da região, por meio do projeto “Biblioteca Vitrine: uma parceria para ser vista”.

Como as bibliotecas municipais e, sobretudo, as escolares, devem atuar nesse contexto?

A biblioteca escolar deve assumir hoje a posição de “agência educadora” e de “laboratório de informações”, podendo oferecer uma ampla gama de recursos e currículo de capacitação informacional para ajudar os alunos a adquirirem as competências necessárias. Em 2007, a American Association of School Librarians lançou os “parâmetros para o aprendiz do século XXI”, terceira edição do livro Information Power que, desde 1988, enfatiza a necessidade de ensinar o pensamento crítico aliado ao uso da informação. Este estudo mudou o paradigma da atuação das bibliotecas escolares nos EUA. Nesse sentido, o Brasil encontra-se pelo menos vinte anos atrasado em sua abordagem. Em São Paulo, assim como em outros Estados, levando-se em conta nossa realidade, de carência de bibliotecas escolares efetivas e crescimento de bibliotecas comunitárias, talvez pudéssemos começar a implantar o conceito de “bibliotecas híbridas”, nas quais as bibliotecas – públicas, escolares e comunitárias – trabalhariam em parceria, desenvolvendo programas de apoio mútuo com foco na classe estudantil e nas comunidades locais. Para conhecer melhor também as iniciativas voluntárias, decidimos que o tema do IX Prêmio Laura Russo 2010, a ser entregue no Dia do Bibliotecário, 12 de março, será o “Empreendedorismo Social: agente de transformação” (mais informações em www.crb8.org.br).

Fonte: Blog do Galeno

XVI SNBU / II SIBDB no Rio de Janeiro

2010 janeiro 26
por biblio20

Dá tempo de se programar pessoal!!

Para mais informações, acesse o site do evento.

Identidade Profissional: o perfil do bibliotecário frente aos desafios da Sociedade da Informação

2010 janeiro 15
por biblio20

Este é o título do trabalho aser apresentado em Belém do Pará, quando eu e minha amiga Joana Angélica estaremos no XIII Encontro Regional de Biblioteconomia e Documentação (Erebd).As malas estão quase prontas e o frio na barriga já “tá demais da conta…”

Aproveitando o título de nosso trabalho, gostaria de ressaltar a importância deste tema que já parece ter se tornado lugar-comum na biblioteconomia: mudanças no perfil do bibliotecário.A insitência no tema dá-se pela vontade de ver a velha e rabugenta biblioteconomia dá lugar a uma profissão voltada e inserida nas mudanças tanto de comportamento quanto tecnológicas.

Não defendo um profissional que deixe de ser técnico para transforma-se num burocrata da informática.Lidamos com pessoas e são com elas que devemos trabalhar.É justamente o meio termo desses dois mais uma dose de calor humano que definirá , talvez, esse novo perfil.

Feliz Ano Novo Librarianship

2009 dezembro 27
por biblio20

Devido às festas de fim de ano e à consequente correria para os preparativos de minha viagem a Belem do Pará, este blog ficou um pouco desatualizado.

Fazendo aqueles balanços que todos costumam fazer, considero que 2009 foi um ano positivo, levando em conta que aprendi muitas coisas e tive a oportunidade de escrever um trabalho que foi aprovado no encontro de estudantes de Biblio do Pará.Mas minha maratona não para por aí: com a Empresa Jr. nos planos, minha intenção para 2010 é fazer com que haja maior troca de experiências entre algumas das empresas juniores de biblio.Vamos fortalecer essa galera!!!

Desejo a todos os que por aqui passaram um 2010 cheio de realizações e que todos nós possamos alcançar todos nossos sonhos, uma vez que estes sejam planejados e com unhas e dentes perseguidos.

Feliz 2010 a todos !!!!

O bibliotecário e a política de distribuição de livros

2009 dezembro 21
por biblio20

Eles são distribuidos em kits para os estudantes dos ensinos fundamental, médio e até para o pessoal da Educação de Jovens e Adultos.São novos e muito bem ilustrados e ainda por cima são criteriosamente selecionados por uma equipe interdisciplinar dos orgãos de cultura e educação.Eles são os ….livros, é claro.

Como dito anteriomente, e volto a afirmar aqui, sou contra a política de distribuição de livros que nada mais é , salvo alguns casos, do que desperdício do dinheiro público, pois, os “leitores” que estão os recebendo em sua maioria os lançarão no canto mais escuro de seus quartos assim que dobrarem a esquina.

No Brasil – e isso parece estar arraigado em nossa cultura – temos o péssimo hábito que tentar “solucionar” problemas sociais crônicos (a baixa qualidade da educação é um deles) com “medidas analgésicas”, aquelas que aliviam a dor momentaneamente, sem no entanto preocuparmos com a efetiva cura de tais mazelas.

E o bibliotecário, deve apoiar tal medida de distribuição de livros? Na minha concepção, apenas distribuir livros é muito pífio se considerarmos os reais problemas que estão por detrás dos baixos índices de leitrura de nossa gente.Soluções eficazes devem ser pensadas, como por exemplo trabalhar com o aluno – no caso da escola, é claro- as formas com que ele pode contribuir com sua formação bem como suas experiências ( quem disse que a criança não tem experiências?), suas opinões e dificuldades.Tudo isso conta na hora de aprender!

O modelo arcaico onde o professor “sabe tudo” deve ser reformulado ainda que localmente, pois nem sempre é preciso esperar por decisões governamentais para que se possa agir.A distribuição de livros será forte aliada da educação quando feita de forma equilibrada e não como estamos acostumados a ver hoje: livros sendo jogados fora como se não tivessem custado um centavo, centavo esse que poderia estar sendo usado para outras necessidades mais urgentes.

Eu quero ser um bibliotecário? rsrs

2009 dezembro 8
por biblio20

XIII EREBD em Belém/PA – Preservação Documental e memória em Biblioteconomia: dos primórdios ao contemporâneo

2009 dezembro 3
por biblio20

Fonte: UFAL Biblioteconomia

O XIII Encontro Regional dos Estudantes de Biblioteconomia, Documentação, Ciência e Gestão da Informação (Norte/Nordeste) acontecerá em Belém/Pará, sediado pela UFPA – Universidade Federal do Pará, no período de 18 a 23 de janeiro de 2010.

O tema será Preservação documental e memória em biblioteconomia: dos primórdios ao contemporâneo.

Eu e minha querida amiga Joana Angélica enviamos um trabalho ( às pressas, na verdade) que acabou aprovado. Entitulado Identidade Profissional : o perfil do bibliotecário frentes aos desafios da Sociedade da Informação, nossa idéia é levantar (e ver se fica de pé) um debate cujo conteúdo urge por ser discutido e que diz respeito às atitudes observadas, a princípio, nos estudantes de biblio no que se refere às mudanças ( currículo, comportamentais, de paradigmas) no perfil do bibliotecário uma vez inserido na Sociedade da Informação.

À nova geração de bibliotecários está entregue a responsabilidade de discutir tais temas que atingem diretamente nosso modo de interagir com a sociedade.Cabe a nós decidirmos se vamos deixar sermos “engolidos pelo tempo” ou se nos adaptaremos à nova Sociedade a todos “proposta”.

Os 10 sites mais populares do planeta e a “queda” da wikipádia

2009 novembro 30
por biblio20

Por Guilherme Pavarim

SÃO PAULO – O Facebook, em junho, se tornou o quarto site com mais visitantes únicos em todo o mundo e já é mais visto que a maior enciclopédia da rede, segundo a comScore.

A rede social de Mark Zuckerberg, que se encontra no Brasil para buscar parceiros comerciais no país, ganhou 24 milhões de visitantes únicos em relação a maio e atingiu a expressiva marca de 340 milhões de visitantes únicos no sexto mês do ano.

Os números já superam todos as páginas da Wikimedia Foundation, inclusive, a Wikipedia. Juntos, os websites da fundação somaram 302,9 milhões de visitantes únicos e ocupam o quinto lugar no ranking.

Os sites do Google continuam na liderança com 844 milhões de visitantes únicos. Logo atrás, na segunda posição, vêm os sites da Microsoft, seguidos pelas páginas do Yahoo!, na terceira colocação.

A lista completa dos dez sites mais visitados em junho deste ano pode ser conferida logo abaixo:

Visitantes únicos mundiais (Junho, 2009) Fonte: comScore

1. Sites do Google: 844 milhões

2. Sites da Microsoft: 691 milhões

3. Sites do Yahoo!: 581 milhões

4. Facebook: 340 milhões

5. Sites da Wikimedia Foundation: 302,9 milhões

6. AOL: 280 milhões

7. eBay: 233 milhões

8. CBS Interactive: 186 milhões

9. Amazon: 183 milhões

10. Ask Network: 174 milhões

Fonte: Infoplantão

Para bagunçar ainda mais a lista , acaba de sair um notícia no Infoplantão de que a Wikipédia perdeu cerca de 50 mil editores (colaboradores) somente nos três primeiros meses de 2009.

O que deve ter acontecido com o ambiente colaborativo? Que comportamentos tem tido os usuários para uma queda tão brusca?

Empresas juniores de biblio pelo Brasil

2009 novembro 25
por biblio20

Já , já o blog da empresa júnior da Escola de Ciência da Informação da UFMG estará no ar a todo vapor.A empresa que conta agora com novos membros voltará a ocupar o lugar de destaque que sempre teve, mas que devido a alguns problemas (nem as empresas juniores escapam) ficou meio que apagada.

Com essa nova motivação, resolvi listar as empresas juniores de biblio pelo Brasil afim de mostrar que muitos estudantes estão, sim, com a mão na massa e mostrando muito trabalho pelo país afora.São elas:

Biblio-Júnior da UFSC< : empresa fundada em 2005.Conta com a participação de alunos da UFSC e da UDESC.Site muito bem feito e com visual muito bacana.

Empresa júnior “Agir Consultoria Jr.” da biblio da UFC- Cariri: a empresa jr. já funciona a todo o vapor, realizando serviços de normalização em trabalhos acadêmicos e sua inauguração oficial está prevista para fevereiro de 2010. Também no inicio do referido ano, terá início o site da Agir consultoria Jr..

Empresa júnior Consultoria em Gerência da Informação (CGI) da UFMG - O blog está em sua fase inicial, mas deverá entrar em atividade acelerada nos próximos dias.A empresa possui experiência de mais de 10 anos no mercado.

Empresa Júnior de Gestão de Informação e Documentação (EGID Jr) da UNESP de Marília – Foi fundada em 2007 e é constituída por alunos de Arquivologia e Biblioteconomia da universidade.

Empresa Júnior Biblio- Júnior de Biblioteconomia da UFES – site em construção parece há um bom tempo.

AYRA Consultoria Empresa júnior de Gestão de Negócios da UFRJ – Fundada em 2002, é formada por alunos dos cursos de Administração, Ciências Contábeis, Economia e, a partir de 2006, Biblioteconomia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Empresa júnior de Biblioteconomia e Ciência da Informação da UFScar – atualmente a empresa está estruturando-se para oferecer produtos e serviços em informação para a sociedade.

Pois bem, por enquanto é só.Irei atualizar a lista de acordo com as informações que for recebendo.Conta com a ajuda de vocês para mantê-la atualizada.

Listas de discussão de biblioteconomia

2009 novembro 20
por biblio20

Participar de listas de discussão às vezes não é das tarefas mais fáceis.Aquilo que era pra ser um local de trocas de ideias, busca por informações e criação de redes de contatos nem sempre pode ser assim considerada.
Nas listas de biblio das quais participo, às vezes, farpas e troca de acusações assemelham-se aos deputados do Congresso, que , cá pra nós, além de se mostrar uma tremenda falta de ética profissional figura como exposição de uma classe frágil e cheia de “ti ti ti”.

O simples fato de alguém solicitar um auxílio numa coisa que pareça banal, mas que representa um dificuldade para a pessoa, serve de escárnio de alguns que se acham os “sabe-tudo”.

O ministério da Saúde adverte: humildade faz bem para reconhecimento e fortalecimento de uma profissão!